Quando começaram os ensaios da peça “Caixa de areia”, o roteiro não ia além da terceira página. Mas era mesmo esse mistério de não saber o que liga o princípio ao fim da história que Taís Araújo buscava. O processo a seduziu, literalmente, e de atriz ela passou também a ser produtora. Em cartaz no Teatro Sesi, o espetáculo coloca no palco um modelo familiar à beira da falência, a começar por sua personagem.
— Marisa quer manter as aparências e não aceita que a família se desfaça. Diz que, quando os filhos começam a pensar, ela não consegue mais se relacionar com eles. Ela criou uma cilada, no fundo queria ser sozinha — diz a atriz, que experimenta com entusiamo a maternidade com o pequeno João Vicente, de 1 ano: — Meu filho não tirou em nada a minha liberdade. Tenho prazer de trabalhar para ele, de falar que ele tem uma mãe que ama o que faz. Entendo quem não quer ter filho, mas em mim era um desejo grande. É maravilhoso redimensionar, perceber que está viva por seu filho.
Em cena numa trama que trata também de várias formas de crítica, Taís se permite uma autoanálise a respeito de seus defeitos.
— Tenho muitos. Sou muito ansiosa, sofro sem precisar sofrer. Mas talvez o principal seja o fato de eu ser controladora. Não é controlar o outro, é controlar o que não depende de mim. Faço análise há seis anos para descobrir uma nova maneira de levar a vida. Mas não é de uma hora para outra. É um trabalho.
Uma Taís escrachada
Ainda que tenha flertado com o humor em “Cheias de charme”, nada até agora havia preparado Taís Araújo para “O dentista mascarado”. A série, escrita pelo casal Alexandre Machado e Fernanda Young, dupla responsável por “Os normais”, é uma das principais apostas da Globo para este ano. Sua estreia, prevista para abril, é ainda cercada pela expectativa em torno do protagonista, Marcelo Adnet. O ex-MTV, cobiçado há tempos pela emissora carioca, mês passado, finalmente se incluiu entre os novos globais.
Ao responder a pergunta se estava com “medo” da nova empreitada, Taís fez uma correção:
— Estou com medo mesmo, sem aspas.
Sem querer adiantar demais sobre Sheila, sua personagem, a atriz comemora o novo projeto.
— Tive medo de entrar numa coisa que nunca havia feito. Sheila é comédia pura, escrachada. Penha era engraçada, mas tinha drama no meio — diz a atriz, que completa: — Mas me encantei ao trabalhar com Adnet, Leandro Hassum e Otávio Augusto. É um trabalho árduo, mas é o que estou buscando
Fonte: Extra

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